Museo Memória Y Tolerância!

Parte II

Então, amigos leitores vamos agora, à segunda parte do texto  sobre o Museu da Cidade do México, numa colaboração generosa de Pedro H. Alcântara. Enjoy it!

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          “Depois de conhecer as atrocidades do ser humano, você chega ao terceiro andar do Museu da Memória e Tolerância. A essa altura, você já acha que nossa raça não deveria mais existir e que o mundo seria um lugar melhor sem a humanidade. E é então que o museu te faz dar uma guinada brusca e dá uma lição sobre preconceito, diversidade, tolerância e direitos humanos.

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            Inicialmente você entra na primeira sala do terceiro andar e assiste um vídeo curto onde é possível entender a diversidade do ser humano: jovens, idosos, negros, brancos, orientais, indianos, europeus, africanos, heterossexuais, homossexuais, cultos, analfabetos, felizes, tristes, ricos, pobres. O vídeo dá uma pequena amostra de como somos diversos e plurais. E aí vem o primeiro choque: se somos todos únicos, porque temos a necessidade de enquadrar todo mundo em categorias?
E entendemos que é graças a essa necessidade do ser humano de colocar rótulo em tudo e todos que surgem os preconceitos, tão bem representados na sala seguinte por várias esculturas: racismo, homofobia, sexismo, preconceito social, de idade, de acessibilidade. Junto de cada escultura há um tablet que permite a você responder uma pesquisa que, ao final, diz se você já sofreu e/ou já discriminou alguém por aquele estereótipo.

Direitos Humanos (004)

            Na sala seguinte, entendemos outro fator que faz com que o ser humano cometa atos brutais: o medo. Temos medo, e muito. Medo de morrer, medo de doenças, medo do desconhecido, medo do que não nos é comum e familiar. E, atualmente, esse medo associado com as redes sociais, causa um pandemônio de preconceito, brigas, informações erradas, fake News, etc.
Mas apesar de tudo dito no post anterior e nesse, o ser humano não é ruim, é só humano: imperfeito e em constante aprendizado. Na sala seguinte, é possível ler todos os artigos da Declaração dos Direitos Humanos. E, tendo em vista tudo o que o visitante viu até o momento, cada artigo ressoa como uma necessidade imperial. E só de me lembrar da visita a esse museu até esse ponto, confesso que meus olhos se enchem de lágrimas, pois é possível perceber como ainda precisamos caminhar MUITO para aprendermos a ser tolerantes e respeitosos com o próximo.

Humanistas (004)

            Apesar de tudo, a jornada no museu, deste ponto em diante, é de aquecer até o mais gélido dos corações. Conhecemos um pouco da história dos grandes humanistas: Madre Tereza, Gandhi, Martin Luther King, dentre outros. Podemos ver como os países assolados pelos genocídios se reergueram e se tornaram nações tolerantes e envergonhadas do seu passado.
A jornada ainda ensina como se criam os estereótipos e como quebrar eles, ensina sobre impunidade e a não nos calarmos diante de uma, afinal, o silêncio torna a crueldade mais forte.

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            Ao final, temos uma perspectiva do México, um país que, em tantos aspectos, é próximo ao Brasil: religioso, latino, terceiro mundo. Mas que, infelizmente para nós, se mostra tão mais evoluído em causas sociais e humanitárias. É possível entender que no México, religião é sinônimo de tolerância, que direitos humanos valem para todos: desde os mais pobres, os doentes e os menos instruídos, até os mais ricos, as famílias (seja qual formação for) e os mais estudados.
O México prova que um país pode ser extremamente religioso e conservador, mas investir muito na educação, na produção científica, nas políticas públicas. O México me provou que religião e homofobia não precisam ser sinônimas. O México me ensinou que o respeito as tradições e a sua história não precisam, necessariamente, impedir as expressões mais modernas e que os jovens, apesar de muito diferentes das gerações antigas, ainda respeitam suas origens.

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            O Museu da Memória e Tolerância me ensinou exatamente isso: Que a memória, por mais cruel que ela possa ser, é necessária para que eu entenda a tolerância. E a tolerância deve ser diversa e plural como o ser humano, não somente com aquele que se assemelha a mim.
O México é um país tão similar ao Brasil, tão pouco lembrado como destino cultural, tão pouco citado como exemplo mundial, as vezes tão malvisto por conta da imigração ilegal para os EUA… O México, quem diria, me ensinou a ser mais ser humano.”

                                                                                                                    Pedro H. V. Alcântara

 Obrigada Pedro, pelo lindo e inspirador texto!
Amigos leitores, eu já coloquei a Cidade do México nos meus planos de viagens, e principalmente o Museo Memória Y Tolerância!
Bye!

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